Voltar ao feed
ia_automacao·Fundação Perseu Abramo·01 de junho de 2026·3 min de leitura

Movimentos populares criam IARAA, uma IA generativa que responde sobre agroecologia

Movimentos populares criam IARAA, uma IA generativa que responde sobre agroecologia Fundação Perseu Abramo

Compartilhar
Movimentos populares criam IARAA, uma IA generativa que responde sobre agroecologia

O uso da Inteligência Artificial Generativa cresce diariamente em diferentes esferas, sendo um caminho sem volta para o uso profissional e cotidiano das pessoas. Nesse sentido, os brasileiros estão acima da média em relação ao uso dessas plataformas.

De acordo com pesquisa da Ipsos em parceria com o Google, em 2024, 54% dos brasileiros declararam utilizar frequentemente ferramentas de IA generativa, contra 48% da média mundial. A taxa de aprovação desses instrumentos também é alta no Brasil, com 65% dos brasileiros considerando a tecnologia “promissora”, percentual superior aos 57% da média global.

A urgência em dialogar com as demandas atuais desse setor é um dos fatores que geraram a IARAA, Inteligência Artificial voltada às questões da agroecologia. Outro ponto central para seu desenvolvimento é a necessidade de alternativas de soberania em relação a esse tipo de tecnologia, setor dominado em 90% por três bilionários.

A recém-lançada IARAA foi desenvolvida a partir de parceria entre o MST, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Marcha Mundial das Mulheres e Associação Internacional para a Cooperação Popular (Baobab).

Segundo os idealizadores, a plataforma foi concebida para responder perguntas sobre manejo de solo, controle agroecológico de pragas, restauração ecológica, organização produtiva e formação política, sem substituir o trabalho de assistência técnica ou os saberes construídos nos territórios. O público-alvo prioritário inclui agricultores, estudantes, integrantes de organizações sociais do campo e da cidade, além de interessados no tema.

A militante da Marcha Mundial de Mulheres, Natália Lobo, relata que a ideia da ferramenta surgiu de um trabalho de brigada do MST na China, que levou militantes brasileiros a conhecerem fábricas chinesas de bioinsumos e maquinário, com o objetivo inicial de estabelecer parcerias nessa área.

“Os companheiros que estavam lá perceberam a necessidade de um acúmulo sobre IA a partir do nosso território, inspirados no modelo chinês, com nossas realidades, assim surgiu um curso sobre soberania digital com a nossa militância, com os militantes no protagonismo não só do debate, mas também do desenvolvimento da tecnologia”, lembra Lobo.

Demanda no campo

A militante explica que existe uma demanda não atendida de assistência técnica rural para pequenos produtores que buscam iniciar práticas agroecológicas, com redução no uso de agrotóxicos, conservação do solo, estímulo à biodiversidade e valorização da cultura e dos modos de vida das comunidades tradicionais.

Para preencher essa lacuna e oferecer uma visão política e técnica do que os movimentos populares entendem por agroecologia, a ferramenta possui um banco de dados, base de conhecimento da IARAA, formado a partir de documentos acadêmicos e utilizados nos processos formativos das organizações.

Desse modo, o usuário pode navegar em três modos de pesquisa: Semeadura (respostas mais curtas e diretas), Mutirão (aprofundamento) e Quintal Produtivo (com relatórios mais extensos, uso voltado à pesquisa).

Natália Lobo explica que todo o conteúdo da IARAA apresenta as fontes utilizadas de forma visível, o que, além de manter a transparência, incentiva as pessoas a buscarem ativamente outras vivências para além das telas. “Estimulamos que os agricultores procurem os órgãos responsáveis e também as organizações sociais para que realizem seus próprios mutirões e levem o que aprenderam com a ferramenta para o mundo, para o coletivo”, afirma.

Sul Global

Apesar de amplamente discutido na sociedade, o uso das tecnologias, em especial da Inteligência Artificial, ainda é um conceito pouco explorado na intersecção com os temas debatidos no campo político da esquerda.

“Acredito que esse é um ponto ainda bastante desigual na esquerda em diferentes países. Na China, por exemplo, é muito difundida a ideia de que a tecnologia deve estar a serviço do povo, do nosso projeto político”, opina Lobo. E complementa: “aqui ainda somos pautados por uma visão do Norte Global, em que a tecnologia é inimiga, é desenvolvida para ser contra os trabalhadores, porque, de fato, essa é a nossa realidade concreta, mas é preciso dizer que isso só ocorre porque esse é o modelo no qual estamos inseridos, o modelo das big techs”.

Após o lançamento pioneiro da IARAA, a militante da Marcha Mundial de Mulheres afirma que existe a intenção de criar ferramentas com outros escopos, para que a militância possa se organizar a partir de outros temas, mas que ainda há limites na capacidade computacional atual. Além do Brasil, a Baobab já articula uma experiência semelhante em Gana, focada na produção camponesa de cacau.

Leitura Aceleriq

Tendências como esta mostram por que estratégia, dados e IA precisam andar juntos. Na Aceleriq aplicamos esse tipo de movimento dentro do método A.C.E.L.E.R.A para gerar receita previsível, não apenas tecnologia isolada.

Diagnóstico Aceleriq · IA e Automação

Automação e IA que organiza e acelera.

Mapeamos onde a IA generativa e as automações podem reduzir atrasos e organizar o atendimento no seu negócio em 30 dias.

Fonte consultada: Fundação Perseu Abramo.