Automação em regiões remotas exige rede privada
Automação em regiões remotas exige rede privada Valor Econômico

Tecnologias 4G e 5G permitem a conexão de robôs, sensores de internet das coisas, máquinas pesadas, veículos autônomos e sistemas integrados de produção
A digitalização do chão de fábrica ganhou um aliado com a consolidação das redes privadas na indústria, que também avançam em empresas de mineração, petróleo, energia, mídia e agro, para automação das operações em áreas inóspitas ou remotas. O movimento começou com redes privativas 4G e evolui para 5G, conectando, com menor latência e maior capacidade, robôs, sensores de IoT (internet das coisas), máquinas pesadas, veículos autônomos e sistemas integrados de produção.
A Claro tem cerca de 20 projetos de redes privativas, entre as quais Nestlé, Gerdau, Usiminas e Rumo, e atua como integradora de todas as partes envolvidas na solução em que a rede 5G é apenas um dos componentes. No caso da Nestlé, isso inclui câmeras, esteiras, braços robóticos, processamento remoto e aplicações de “analytics” e inteligência artificial.
“Atuamos como orquestrador tanto do nosso ecossistema como do cliente. Em um dos maiores projetos portuários com operação remota de equipamentos de movimentação de carga e veículos autônomos, garantimos a interoperabilidade de tudo isso e o controle e monitoramento de pessoas”, diz Alexandre Gomes, diretor de marketing da Claro Empresas.
A Petrobras iniciou o movimento de redes privativas em 2019, para cobrir plantas de processo de nove plataformas offshore com 4G LTE. Depois expandiu para mais plataformas e para os ambientes industriais em terra.
A empresa usa as redes para conectar robôs e também pessoas que puderam passar a fazer as inspeções em dispositivos digitais e com recursos de realidade aumentada. A empresa tem ainda um plano de sensorização das plantas de processo (como plataformas e refinarias) para avançar com IoT industrial e manutenção preditiva. Após prova de conceito com Nokia e Vivo, usando frequência própria obtida na Anatel, a estatal comprovou a maior eficácia do 5G. “Poderemos ter uma implementação progressiva para 5G em aplicações que fizerem sentido”, diz Maximilliam Vieira, consultor da gerência de tecnologia da informação e comunicação da Petrobras.
A Vale combina frequências próprias autorizadas junto à Anatel e frequências contratadas de operadoras de telecomunicações. As redes privativas LTE 4G/5G somam 50 “sites” (instalações) em operações de mineração e logística. A companhia também opera, em Carajás (PA), uma rede privativa exclusivamente 5G, para teleoperação, que exige alta capacidade e baixa latência. “A conectividade privada permite integrar equipamentos, sensores e sistemas operacionais em tempo real e apoia a evolução da mineração para modelos mais autônomos, remotos e orientados por dados”, diz Claudia Mazzi, diretora de infraestrutura tecnológica da Vale.
As redes estão em nove operações de minas no Pará e em Minas Gerais e portos no Maranhão e no Espírito Santo. Adriano Pereira, diretor de IoT, big data e inovação B2B da Vivo, afirma que a mineradora mantém redes privativas 4G da Vivo em Carajás, na ferrovia que liga essa planta ao porto do Maranhão, no Porto de Tubarão (ES) e em campos de mineração em Minas Gerais.
É preciso oferecer outras tecnologias, como IoT, ‘analytics’ e IA, trazendo valor adicionado”
— Fabio Costa
No final de 2025, a Vale fechou contrato com a TIM para implantação do 5G em novos projetos e operações que ainda não têm cobertura completa. O objetivo é conectar dispositivos e soluções que demandem maior capacidade e conexões mais rápidas, complementando a atual rede 4G já implantada e usada para conectar caminhões, perfuratrizes e outros dispositivos.
Fabio Costa, vice-presidente de vendas B2B da TIM, diz que a operadora procura oferecer também soluções corporativas, estratégia reforçada após a aquisição da V-8, empresa de serviços digitais. “É preciso oferecer outras tecnologias, como IoT, ‘analytics’ e IA, trazendo valor adicionado que gere retorno ao cliente”, diz Costa.
A Vivo, por sua vez, conquistou projeto na usina sucroalcooleira São Martinho, tradicional cliente da TIM. O projeto da Vivo abrange três milhões de hectares, com 44 torres, que levarão sinal 4G, NB-IoT e LTE-M para atender os quatro complexos agroindustriais.
A rede NB-IoT permitirá o uso de sensores fixos em equipamentos e sistemas de irrigação inteligente e dispositivos de monitoramento ambiental. Já a tecnologia LTE-M dará suporte a telemetria de frotas, colhedoras e tratores conectados, fundamentais para a gestão de grandes áreas agrícolas.
Dados da pesquisa “Mapa de Redes Privativas no Brasil” apontam que, das cerca de 500 redes privativas LTE/5G existentes no país, só 30% foram implantadas por operadoras. Uma das maiores redes privativas está sendo implantada para a Cemig, com 80 instalações e mais de 6 mil dispositivos cobrindo Minas Gerais, pela Aldak, integradora especializada em conectividade de missão crítica.
“A Aldak já implantou 20 redes privativas LTE/5G completas. Auxiliamos os clientes na obtenção das outorgas junto à Anatel, não só de 5G, mas também de frequências de 450 MHz, 700 Mhz e 2,3 GHz em caráter secundário [compartilhado]”, diz Matheus Silva, COO da Aldak.
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Fonte consultada: Valor Econômico.
