Google e OpenAI anunciaram em 30 de outubro de 2026 apoio a um sinal comum no robots.txt para que sites expressem preferências sobre o uso de conteúdo no treinamento de IA generativa. O rascunho técnico usa o token __usage_ai-training e permite regras por caminho. A proposta reduz a necessidade de manter uma instrução diferente para cada fornecedor, mas ainda não é um padrão final nem substitui controles existentes, decisões jurídicas ou regras específicas de rastreamento.
Entenda o novo token de preferência
O rascunho publicado no ambiente da IETF usa a estrutura já conhecida do robots.txt. Um grupo com User-Agent: __usage_ai-training e Disallow: / expressa preferência contra treinamento em todo o site. Uma linha Allow: /press-kit/ pode abrir uma exceção para esse caminho.
O mecanismo não cria novas diretivas. Ele reutiliza Allow, Disallow, correspondência de caminhos e precedência já existentes. Ferramentas que não reconhecem o token tendem a ignorar esse grupo, enquanto fornecedores participantes podem interpretá-lo como uma preferência de uso do conteúdo.
Separe preferência de uso e bloqueio de rastreamento
O token não é, por si só, uma ordem para impedir que um robô acesse a página. O próprio rascunho separa preferência de treinamento e controle de tráfego. Se a empresa também quiser limitar um crawler, precisa manter as regras destinadas ao identificador daquele robô.
Essa distinção protege o SEO de decisões precipitadas. Bloquear rastreamento de busca para tentar impedir treinamento pode reduzir descoberta, atualização de páginas e diagnóstico técnico. Antes de mudar o arquivo, documente quais áreas devem aparecer em busca, quais podem fundamentar respostas e quais não devem ser usadas para treinamento.
- Mapeie conteúdo público, restrito, licenciado e estratégico
- Separe indexação, fundamentação, agentes e treinamento
- Mantenha controles específicos já usados por fornecedores
- Teste o robots.txt e acompanhe rastreamento e indexação
- Registre responsável, motivo e data de cada regra
Confira como Google e OpenAI pretendem aplicar
O Google afirma que pretende oferecer suporte em 2027. Quando houver preferência comum contra treinamento e Google-Extended não estiver especificado, a empresa planeja interpretar a regra como bloqueio do Google-Extended. Uma instrução explícita para esse identificador continuará permitindo uma escolha específica.
A OpenAI informa que pretende implementar o sinal nos próximos meses e continuará respeitando seus controles atuais. Os dois anúncios deixam claro que as regras proprietárias não desaparecem. Em conflitos, a organização precisa conferir a documentação de cada fornecedor e não presumir uma precedência universal.
Prepare uma implantação sem quebrar o site
Não publique o token em produção apenas porque ele foi anunciado. Primeiro inventarie regras atuais, crawlers relevantes, áreas do site e contratos de conteúdo. Faça a alteração em ambiente controlado, valide a sintaxe e monitore logs, Search Console, indexação e referências por ferramentas de IA.
Se o site usa CDN, firewall, plugin de SEO ou robots.txt gerenciado, confirme qual camada gera o arquivo final. Duas interfaces podem sobrescrever a mesma regra. Mantenha uma cópia versionada e um plano de reversão, especialmente em lojas, portais e sites com navegação por parâmetros.
Conheça os limites técnicos e jurídicos
O documento de 30 de outubro é um Internet-Draft e pode mudar antes de se tornar um padrão. Expressar uma preferência não garante que todos os sistemas a reconhecerão ou obedecerão. O vocabulário da IETF também ressalta que o efeito jurídico depende das leis, contratos e circunstâncias aplicáveis.
A regra não retira conteúdo que já integrou conjuntos anteriores, não substitui autenticação e não protege material que continua exposto por outras URLs ou APIs. Jurídico, conteúdo, tecnologia e SEO devem aprovar juntos a política e reavaliá-la quando os fornecedores publicarem detalhes de implementação.
Para levar daqui
O sinal comum no robots.txt pode simplificar preferências de treinamento de IA, mas ainda está em desenvolvimento. A empresa deve separar uso de conteúdo e rastreamento, preservar controles existentes e só implantar depois de mapear caminhos, impactos de SEO e responsabilidades.





